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Ouro líquido

De um dos países mais pobres do planeta, berço da organização terrorista Al Qaeda, o Iêmen, vem uma riqueza preciosa: o mel de Wadi Doan

Texto: Caio Vilela

foto: Caio Vilela
O apicultor Tarik e suas colmeias em Al Khurayba


A região pela qual se estende o Rub Al Khali (que em árabe quer dizer “quarteirão vazio”), um dos maiores desertos de areia do mundo, é inóspita e agressivamente árida. Ocupa boa parte do sudeste da Península Árabe, avançando pela fronteira de um pequeno país situado já à beira do oceano Índico, num remoto e esquecido ponto do planeta: o Iêmen — mais especificamente na região de Hadramout. É lá que, entre paredões verticais de arenito que formam vales férteis insinuantes, se produz uma verdadeira joia da natureza, única em sua forma e qualidade: o famoso mel de Doan. A região desértica e muito pobre de Hadramout é cortada por alguns poucos rios sazonais em cujas margens florescem, uma ver por ano e por apenas um mês, três variedades de acácias, principal manjar de uma certa abelha endêmica muito especial. É um tipo escuro e bem adaptado ao trabalho sob calor e condições extremas do deserto. Em Wadi Doan (rio Doan em árabe), mais especificamente nas cidades Seef e Al Khurayba, concentram-se apicultores com tradições milenares que dão conta da pequena produção de mel local, chamado de Doani Assal (mel de Doan).

Estima-se que a região de Hadramout produza 35 toneladas de mel por ano, cuja melhor variedade é revendida diversas vezes a preços multiplicados até chegar aos países árabes ricos da região, como Dubai, Arábia Saudita e o Kuwait, onde é tido desde os tempos mais remotos como uma medicina milagrosa. Ironicamente, Wadi Doan, uma das regiões mais pobres do mundo árabe, é a produtora de uma de suas maiores riquezas culturais e mais valorizadas também. Nas festas dos xeques sauditas dos Emirados Árabes, por exemplo, são servidos doces refinados e elaborados a partir do mel do Iêmen. O preço de 1 litro de primeira qualidade pode chegar a US$ 150 no mercado árabe – valor muito diferente do que pede um apicultor de Al Khurayba: US$ 16 pelo mesmo litro. Nas lojas especializadas das grandes cidades, o valor já sobe para US$ 30, chegando a US$ 60 na capital do país, Sanaa. Os valores são altíssimos se comparados ao padrão de vida e renda mensal dos habitantes da região de Hadramout.

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Confira fotos exclusivas que retratam a arquitetura e a natureza de Sanaa, capital do Iêmen, e da região do vale do rio Doan, onde estão as apiculturas que produzem o famoso mel.

 


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