Historicamente usados como alimento pela população de Madagascar, ilha do Oceano índico, os lêmures ganharam novos admiradores para sua carne: os turistas. o consumo ameaça ainda mais a sobrevivência do animal, endêmico da ilha
Texto: Rachel Costa
Na realidade: os sifakas, assim como outros lêmures, são ameaçados pela caça e pela devastação de seu hábitat
Quem assistiu ao filme Madagascar (DreamWorks, 2005) certamente se lembra de uma tribo de simpáticos animaizinhos que vivia na ilha — os lêmures, espécie endêmica de Madagascar, ou seja, que só existe nessa região do globo. Apesar de muitos serem associados aos macacos, até por viverem em árvores, pulando de galho em galho, os lêmures são prossímios, um tipo menor de primata, com focinhos compridos e hábitos noturnos, que sempre viveram confortavelmente num verdadeiro paraíso africano. Em geral dóceis e simpáticos, receberam amistosamente os primeiros visitantes europeus dos navios mercantis (ver quadro à pág.70) – e por isso mesmo tornaram-se presas fáceis para saciar a fome dos forasteiros. A ameaça, aliás, existe desde que fizeram contato com o homem. Os cientistas calculam que os primeiros seres humanos só chegaram a Madagascar há cerca de 2 mil anos e, desde então, 16 das mais de 100 espécies de lêmures conhecidas já desapareceram, seja pela devastação do hábitat desses animais, seja pela caça.
Nos últimos meses, um componente novo tem gerado preocupações especiais nos pesquisadores e ambientalistas que atuam na preservação da ilha: o uso dos lêmures para fins culinários nos restaurantes turísticos. Essa prática ameaça ainda mais a já frágil sobrevivência das espécies de lêmures encontradas em Madagascar. Na lista feita pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), o país aparece em primeiro no ranking de primatas ameaçados de extinção, com cinco espécies, todas de lêmures (Prolemur simus, Eulemur cinereiceps, Eulemur flavifrons, Lepilemur septentrionalis e Propithecus candidus).
Confira a reportagem completa na edição 125. já nas bancas!
EXCLUSIVO ONLINE
Assista ao vídeo produzido pela Conservação Internacional.